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Mundo à parte

" O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem mesmo eu compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades sei lá de quê." 

(Florbela Espanca)

Bastava que me olhasses...
Despida! Nua como dizem os poemas, como cantaram tantas vozes nas músicas de amor. Precisava que me visses sem nada.Que só me visses a mim, com os defeitos e as coisas mais singulares do meu eu. Em ti nada é singular, tudo é complexo disseram, mas eu precisava que me olhasses ponto por ponto até ao fim da vida e do mundo que conheces. No quente da tua alma me envolvesses na pele... Ah, a tua pele... Melódica a tua pele. Devo sabe-la de cor, mas preciso de mais de ti em mim. Que me olhes nua de mim. Analises o que te inquieta. Preciso que vasculhes a minha ideia de mim, o meu conceito de ti. Preciso que me revejas. Nua dos preconceitos absurdos que digo ter. 
Que me olhasses, era isso que precisava
Que preciso... 
Que queria.
Que quero de ti.

Será?!

"O que é um amante



Um instrumento no qual nos esfregamos para ter prazer?! "


(Sthendal


Ou será o "amante" alguém com que se partilha uma vida e com quem se vive maravilhosamente em pecado se não existir um casamento entre os dois?!

(Nao serao os amantes aqueles que se amam, se desejam e se querem. Não e forçosamente aqueles que se amam em segredo e em esforço continuo para não serem descobertos pelos demais.)





Escrevo-te esta carta

Carta a um conhecido meu:

Quero falar-te das lágrimas, das minhas lágrimas. Antigamente, elas corriam-me, livremente pelo rosto, e agora escondem-se. Amedrontam-se dentro de mim, no quente do meu corpo e já são livres. Agora são minhas, só minhas, já não são nossas. 
Antigamente as minhas lágrimas eram minhas e de quem as visse, porque muitos eram os que as viam. Chorava aqui e ali, sem medo de ser olhada fosse por quem fosse. Podiam significar tudo, uma alegria ou uma tristeza, uma vitória ou um desembaraço meu. Podiam ser pequenos pontos de viragem ou podiam ser de sensibilidade, só... Alturas houve em que as lágrimas que me assaltavam os olhos e me corriam pela face era por tua causa. Por todos os sorrisos e gargalhadas que tu davas eu percorria um caminho cada vez mais solitário, por meio de pessoas que não conhecia, e hoje, que até tenho motivo para chorar, encolho-me na minha vida pequena e pequena vou ficando, voltando ao escuro do buraco de onde saí e para onde não quero voltar.  
E tu, ficas sentado no degrau de casa a olhar, sem discutires porque o cansaço te é conhecido e deixas-me ir mesmo quando sabes que quem me trás de volta já cá não está. E eu sei, e eu sinto, e eu sei... Um dia vamos todos olhar para trás e pensar no caminho que devíamos ter percorrido. Com ou sem dor, vais procurar-me. Vais procurar-me sempre, porque eu sou a pele da tua pele.

Dra. da Cuca ...

Remembering the one (mãe ...)

Porque és, porque existes!

Porque és simplesmente adorável, porque és uma Mulher.

Porque foste, és e serás sempre uma Mulher.

Porque és bonita e adorável!

Porque existes de uma forma simples e, no entanto, completa.

Porque és séria, porque és Amiga, minha Amiga.

Porque és como uma sombra.

Porque me "aturas"! Porque te "aturo"!

Porque te quero muito!

Porque quero que sejas feliz.

Porque me orgulho de ti. Daquilo que és e do que, certamente, serás.

Porque gosto do teu sorriso!

Porque

Porque

Porque

Porque existem tantos porquês!

Aconteceu...

Um dia acordas e já não estás ali! Sentes-te presa ao que te corta a respiração e por uma razão inexplicável acordas mas não abres só os olhos. Despertas e voltas a sentir o que achas que faz parte de ti... Ouves novamente o sangue a correr-te nas veias e não te achas tão banal e tão inútil como em outros tempos.
De repente, sem saberes porquê o que te servia de consolo e de abrigo deixa de fazer sentido, e é aí que te dás conta de que tu deves ser o teu porto de abrigo! Deves ser tu a abraçar-te e a acarinhar-te, porque só tu conseguirás sair de onde te falta o ar, do sítio que te faz ser podre e do qual tens medo, por isso um dia acordas e dizes a ti própria que já chega!!
Começas a esgravatar a tristeza e a manda-la embora, e os momentos de combate contigo mesma tornam-se cada vez menores. Aquilo que te magoa vai-se embora aos poucos e voltas timidamente a sorrir.
Antes, corrias amedrontada, tentando segurar um castelo de areia. Querias voar, mas não tinhas sequer uma janela para abrir as asas e ir ver o Mundo...
Não tenhas medo, também eu passeei no mar, numa barca de onde não conseguia ver terra firme, nem gaivotas nem sereias... Sorrio-te, porque abriste a janela e voaste, tal qual eu voei numa noite estrelada em alto mar. Abri o Mundo em dois, e nem sequer tive medo de me afundar, pois jamais me iria faltar a luz da lua cheia.
Um dia acordas, e já não estás ali, mas não tem mal... Estas coisas do coração são assim. Estas coisas de não querermos ser mais quem somos ali, quem fomos, não são de todo nefastas... Parece-te que ruiu uma parede e que o coração te fugiu de repente por uma fresta aberta e de repente sentes-te bem com isso.
Foges, tocas no ombro e dizes "olá", e então sorris porque a tua marca ficou lá, e dizes "ainda bem que voltaste"!


Aconteceu... Finalmente aconteceu! Agora sentes que tens pernas, coração, olhos ávidos de novas paisagens e nariz que pede novos cheiros...
Repousa a lente pela qual vês o Mundo e guarda alguns momentos para fotografar com os olhos que tens e que são teus... A maior riqueza de um viajante é conseguir fechar os olhos e reviver as suas viagens pela lente dos seus olhos.
Fica com um beijo, com carinho e um sorriso cúmplice.

Solidão.....

Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo..... isso é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar..... isso é saudade.
Solidão não é retiro voluntário ao qual nos impomos, às vezes, para realinhar os pensamentos..... isso é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida..... isso é um princípio da natureza.
Solidão não é vazio de pessoas ao nosso lado..... isso é circunstância.
Solidão é muito mais do que tudo isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma .....
Ás vezes sinto-me só... Uma solidão profunda e grandemente marcada por mim mesma...

Solidão... Que forma terá senão esta que sinto por vezes e que sei que faz parte de mim porque eu sou diferente?

Desilusão

Vamos pela vida intercalando épocas de entusiasmo com épocas de desilusão. De vez em quando andamos inchados como velas e caminhamos velozes pelo mar do mundo; noutras ocasiões - mais frequentes do que as outras - estamos murchos como folhas que o tempo engelhou.

Temos períodos dourados, em que caminhamos sobre nuvens e tudo nos parece maravilhoso, e outros - tão cinzentos! - em que talvez nos apetecesse adormecer e ficar assim durante o tempo necessário para que tudo voltasse a ser como era dantes.
Acontece-nos a todos e constitui, sem dúvida, um sinal de imaturidade. Somos ainda crianças em muitos aspectos.

A verdade é que não temos razões para nos deixarmos levar demasiado por entusiasmos, pois já devíamos ter aprendido que não podem ser duradouros.

A vida é que é, e não pode ser mais do que isso.

Desejamos muito uma coisa, pensamos que se a alcançarmos obtemos uma espécie de céu, batemo-nos por ela com todas as forças. Mas quando, finalmente, obtemos o que tanto desejávamos, passamos por duas fases desconcertantes. A primeira é um medo terrível de perder o que conquistámos: porque conhecemos o que aconteceu anteriormente a outras pessoas em situações semelhantes à nossa; porque existe a morte, a doença, o roubo...

A segunda fase chega com o tempo e não costuma demorar muito: sucede que aquilo que obtivemos perde - lentamente ou de um dia para o outro - o encanto. Gastou-se o dourado, esboroou-se o algodão das nuvens. Aquilo já não nos proporciona um paraíso.

E é nesse momento que chega a desilusão, com todo o seu cortejo de possíveis consequências desagradáveis: podem passar-nos pela cabeça coisas como mudarmos de profissão, mudarmos de clube, trocarmos de automóvel ou de casa, divorciarmo-nos... E, então, surge o desejo de partir atrás de outro entusiasmo: queremos voltar a amar...

Nunca mais conseguimos aprender o que é o amor.

Se nos desiludimos, a culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos, a culpa é nossa: porque nos deixámos iludir; porque nos deixámos levar por uma ilusão. Uma ilusão - há quem ganhe a vida a fazer ilusionismo - consiste em vestir com uma roupagem excessiva e falsa a realidade, de modo a distorcê-la ou a fazê-la parecer mais do que aquilo que é.

Quando nos desiludimos não estamos a ser justos, nem com as pessoas nem com as coisas.
Nenhuma pessoa, nenhuma das coisas com que lidamos podem satisfazer plenamente o nosso desejo de bem, de felicidade, de beleza. Em primeiro lugar porque não são perfeitas (só a ilusão pode, temporariamente, fazer-nos ver nelas a perfeição). Depois, porque não são incorruptíveis nem eternas: gastam-se, engelham-se, engordam, quebram-se, ganham rugas... terminam.

Aquilo que procuramos - faz parte da nossa estrutura, não o podemos evitar - é perfeito e não tem fim. E não nos contentamos com menos de que isso. É por essa razão que nos desiludimos e que de novo nos iludimos: andamos sempre à procura...
De resto, se todos ambicionamos um bem perfeito e eterno, ele deve existir. Só pode acontecer que exista.
Tudo será diferente quando acreditarmos que, após uma conquista nos devemos agarrar a ela e ter a consciência de que todos os dias será melhor se a cultivarmos, se a regarmos. Que ela nos trará muita coisa nova e importante. Porque, nessa altura, ela está só no princípio e há muito ainda a construir. Só assim conseguimos não precisar de nos voltarmos a iludir após cada conquista.

Os teus olhos meu amor

Há algo de interessante nos teus olhos quando choras.
Ora do lado esquerdo porque tens dor,
ora do lado direito porque te doí o coração...
Outras dores,
a minha
a nossa!
A ausência do que sempre se quis,
se achou ser perfeito e para sempre se quis,
como se o sempre pudesse não ter fim.
A vida parece não ter ritmos
regras ou gostos...
O amor vai e vem.
O amor vem e vai.
Perde-se por ruas tão estranhas como se de desamor se tratasse...
Mas não é desamor, é amor maior,
perdido nas ruas desta cidade grande!
Amanhã já vamos ter respostas amor...
A minha vida será a tua,
a tua a minha de hoje.
Um porquê atrasado,
cheio de arrependimentos.
Enfins,
um, dois...
Muitos!

Sinto que deixei há muito de ter amigos e passei a ter "casos"...
Casos completamente descabidos, destruturados, destituídos de um amor maior!
Será?! Ou no fundo do peito bate o coração a compasso de uma sensação totalmente oposta?!

Brasil (parte II)

Rerisson, gostava de si mostrar pelas ruas... Passeando com Rermioni, estaria sempri bem! Por vezis, visitavam amigos aqui e ali. Juntavam-se olhando as estrelas, procurando a constelação de escorpião, ondxi tinham seu lugar secreto.
Fumanndo cigarros dxi sabor estranho, Rerisson não passava dispercibido, ficando nos corações dxi Mel, Mamã Clara, Camila, Rodrigo, Carol, Bruno e até dxi Lua. Gostava dxi pensar qui para sempri!
Trazia sempri consigo o porta-chavis dxi Mel, também conhecido por Reri Potter. Presenti qui seu amigo apontando para o céu lhi tinha gentilmenti oferecido.
Emoções, muito amor, música e my lovi... Rerisson gostava do Brasiul, dxi bossa nova, do por do Sol e do seu ottis redi, vermelho platinado, qui sambava no asfalto sem dificuldadxis nenhumas...
Rerisson, essa personagem peculiar dxi dias passados lá longi, no calor do inverno do Brasiul, qui diz quem o viu passar por lá, ficará nas memórias mais aconchegantis dxi alguns, qui sendo poucos, são peculiaris e fantásticamenti especiais!

Brasil (parte I)

Se o Nuno Lopes soubesse onde já anda a personagem dxi Rerisson (como Rerisson Fordi), daria uma gargalhada...
Tenho andado para escrever sobre a vivência que tive no Brasil este mês, mas as saudades ainda me pairam na cabeça e acabo por relembrar, mas não ter a capacidade para falar ainda disso, ou melhor, escrever. Hoje, decidi que está na altura de deitar cá para fora a experiência que foi fazer hora e meia de praia, mas conhecer o Brasil como um brasileiro e não como um turista...
Sendo assim, vou a partir de hoje, revelar algumas das aventuras no Ferrari Ottis Redi que Rerisson e Rermioni alugaram, bem como as pessoas que por lá conheceram... :)

Receita para um sorriso

Em vez de ofereceres flores, experimenta oferecer um ramo de chupa chupas! Conta pela originalidade e ainda "sacas" um sorriso, não falando que ainda é de
bom gosto. ;)


P.S - Sempre achei que isto de fazer rir os outros era uma "prestação de serviço". Utiliza-se em qualquer dia ou hora, até como aquelas que fazem parte de dias menos bons. Exemplo disso, são os dias em que sofremos a perda de alguém que nos era muito querido.
Eu sou assim, meia "palhaça", no bom sentido da palavra. Embora tímida, sou capaz de fazer as maiores loucuras e de rir comigo de mim própria junto aos outros que por sua vez também se riem.
Isto de viver mais o presente, esquecer o futuro e não sofrer tanto a saudade do passado tem coisas boas... Ajudamos os outros e acabamos por nos ajudar a nós. E isso é tão bom não é?!

Eles vêm aí!!

"Martinha", é apresentada este fim de semana ao público. Embora esteja apreensiva, tem como apoio o amigo de sempre... "Silver", promete estar à altura e há quem diga, que esta é a dupla dinâmica, vulgo "bomba Antónia" deste verão!
Voltaremos com mais notícias assim que possível, até porque temos seguido os ensaios do trio "Martinha", "Silver" e "companhia" e asseguramos que pelo menos ritmo não faltará.
Não podendo ainda revelar o nome da mentora deste projecto, pede-se aos leitores que sugiram um nome de código, pelo qual possamos tratar a mesma...
Opiniões são bem vindas e arriscadas a serem levadas a sério, até porque "companhia" pode vir a correr Mundo (ainda mais........)!

Onde andaremos agora

Caminho para ti, lá longe onde tu estas.
Vou a caminho de ti,
dos teus olhos tristes e inseguros.
Vou a caminho das músicas que fomos ouvindo,
no meio de multidões.
Caminho para ti
com a fome de quem não bebe há muito...
Sedenta de algo,
- cheiros
- sons
palavras nuas como nós.
Vou em busca de um por do Sol.
Um de muitos
de quantos poderei ter partilhado.
Caminho para os nossos momentos do dia,
caminho para ti com passos de cor,
olho os filhos que tivemos e vimos crescer
e são só meus e só teus,
os que vão ser nossos...
Caminho para ti com as trelas dos cães,
com os sorrisos que nos vão escapar.
Caminho para o que noutra vida qualquer escolhi para nós.
Caminho para os abraços combinados,
para o que queres,
para o que não dizes,
para os nossos dias que perguntam "não desistes"?!

# Do you realy want to get out of your small world?!

Há qualquer coisa de estranho em ver-te ao acordar. Essa cara de sono, sem a maquilhagem habitual e com os traços dos teus (mesmo assim), poucos anos que já te conferem cara de mulher.

É já tarde, mas para ti o que será tarde?! Tens a "tua" ausência de horários, que te é tão própria e te caracteriza tão profundamente.

Hoje, pensas, devias ter-te levantado cedo e estar já na rua. Haveria algo que fazer, quanto mais não fosse, receber do Sol o que te convém - energia rapariga!

Bem, não sendo assim, preparas-te para mais um dia, daqueles cheios de ideias pouco paridas, imensamente concebidas durante as horas de silêncio da madrugada anterior. "Eu vou", "eu faço", "amanhã", "amanhã", "amanhã"...

Olhas-te ao espelho e pensas mais uma vez que estás quase com trinta anos e que tens aquele tanto para viver, para olhar, para meter verdadeiramente em prática.

Hás-de ser sempre uma sonhadora com ímpetos de menina com o dia de amanhã para viver... Hás-de achar sempre que terás mais uma música para escrever, um sonho para cantar, uma saudade para trazer na mão cerrada ao peito, símbolo da tua coragem, do casamento que sabes ser teu para o resto da vida.

Sabes que o tempo urge, que devias sair porta fora e viver verdadeiramente o que te terá sido destinado, mas continuas a viver de coração incendiado e mente às voltas sem que todo o resto do corpo se mexa para fazer algo mais por ti...

Isto não tem melhoras... "Tem, terá sempre e eu estou aqui para ajudar. Não me fui embora"

Diz a palavra que é saudade

Não digas Adeus! Nunca!
Mesmo que te apeteça
Desistir de tudo e da vida,
Continua esta luta!

Constante,
permanente,
arrepiante e algo mais.
Nada é perfeito,
Talvez tudo ilusão…

Se eu pudesse a mágoa que em mim existe
Na tua mão chorar,
Agarrar-me-ia à vida
E continuaria a lutar.


Tortura de lembrar…
Tortura de pensar…
Quem me dera a mim
Ter -te aqui p´ra me abraçar.


Esse de quem era e de quem fui
Era meu.
Não foi sonho, realidade sim!
Veste-se-me a alma de uma saudade sem fim!

E até morrer o sonho espera.
Vida passada de silêncio e pecados
Deixai vir até mim
Tuas mãos, «essas» de teu sangue
Batidas em rosas sem espinhos
Para partir…
Só, de tua e minh´alma.

Alma Vadia

Escrevo para não me esquecer, para recordar toda a saudade e solidão que vou sentindo nos dias da minha vida.

Assento todas as paixões, para relembrar um dia as que já passaram e as que ainda persistirão.

Aponto, corajosa, aquilo que sou. Delicadamente egoísta, como uma pequena coisa ocupada, deitada, desajeitada no Mundo das Emoções.

Facilmente cantável, apaixonante, vadia, disposta a tudo parada num tempo sem tempo, buscando sem tréguas, solteira, casada, mãe?!

Sempre, para sempre, eterna, que dure e não passe, sempre para sempre, sorrindo contente.

A menina dos botões

"Aqueces-me a alma..."

Como se a solidão de uma árvore debaixo do Sol me acalmasse o coração que viaja pelo Mundo inteiro e não pára de pulsar...

Como se um animal ferido na selva substituísse todas as lágrimas que choro calada e me doem a cada gota que não cai...

Como se a mãe que perde um filho tivesse um nome que não à mesma "mãe" e eu sem coração não continuasse viva...

Como se o mar fosse privado de sal e o Mundo mudasse todo num instante de uma maré e a minha saudade não...

Como se um mendigo sem tecto fosse mais que eu que não tenho rumo nem norte...

Como se à palmeira faltassem os cocos como a mim me falta alguém...

Como presunçosa seria se assim fosse e não soubesse que o ínfimo grão desajeitado no deserto sou eu, pequena partícula deambulando ao sabor do vento, com um querer maior que o meu tamanho...

Tenho música no corpo e quero dar, dar, dar...