# Biografia inconsciente

Tu fizeste minha biografia inconsciente... Escreveste o meu nome sem medir os espaços, e fizeste-o com todas as letras, com as datas e os símbolos. Tudo como tem que ser... breve, subtil...

Repetiste o que ouviste de mim e desenhaste o meu retrato num palco gigante! Viste reflectido o meu rosto no espelho do teu quarto e nada disso serei eu... Seremos sempre nós. A sombra e o ar.

Disseste-me coisas engenhosas... Na tua mente imaginaste mil cenas. Ideias mirabolantes nos mínimos detalhes e sem saberes, conduziste os teus passos até à minha direcção, estando eu sentada à tua espera. Semeaste versos na terra da noite,
porque só à noite tu que tens luz consegues brilhar a sério, e reconheceste a minha também luz no outro lado da porta...

Tu e eu procuramo-nos em todas as formas... Como se estivéssemos impregnada uma na outra, e mesmo sem nos conhecermos, sabíamos ou almejávamos um dia vir a ser assim, duas numa. Nós somos fragmentos ─ um jogo misterioso.

Eternamente aproximamo-nos e afasta mo-nos... E aproxima mo-nos novamente... Todos os dias somos transparentes e opacas... Podemos sempre encontrarmo-nos no giro da luz... Como as cascatas pelas pedras ─ livres e leves.

Que mortal nos pode entender senão nós as duas? Às vezes, sinto falta do meu passado... Nos meus olhos fechados de movimento e dança. Mas contigo tudo desaparece... Tu das-me vida...

Choramos secretamente ─ sem lágrimas
Algo se passa fora de nós ─ sem consciência
Num suspiro entristecemos de repente...

(#obrigada por me fazeres sentir assim... por poder dançar...)

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